sábado, 16 de setembro de 2017

E que luta, essa da minha gente



Luta por igualdade social é tema da Festa da Literatura Negra em São Paulo
  • 16/09/2017 09h10
  • São Paulo
Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil







A atriz Zezé Motta será homenageada na 5ª FinkSampaDivulgação/Ministério da Saúde

A luta por igualdade social será um dos principais temas da 5ª Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra (FlinkSampa), de 16 a 18 de novembro, na capital paulista. O evento, que cuja programação foi lançada terça-feira (12), é  promovido pela Faculdade Zumbi dos Palmares e pela organização não governamental Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio-Cultural (Afrobras). Além dos encontros com escritores nacionais e internacionais, o festival terá contação de histórias, festival de curtas-metragens e um palco de samba.

Outro destaque da festa será o intercâmbio com autores de países africanos que falam português. “Eu acho que é o momento de ressaltar a necessidade de sermos lidos lá, de eles conhecerem os nossos autores e vice-versa, de uma interação mais produtiva, de uma expansão dessa identidade para além das fronteiras nacionais. Criar uma comunidade mesmo de países de língua portuguesa”, afirma a curadora Guiomar de Grammont. Entre os convidados estão o ensaísta Francisco Noa, de Moçambique, e o escritor Filinto Elíseo, de Cabo Verde.

A proposta de trazer temas atuais, como as relações da violência urbana e a desigualdade social é, segundo Guiomar, catalizar essas discussões na sociedade. “A Flink acorda a sociedade civil, levanta questões que iluminam a consciência em busca de um Brasil mais igualitário, da retomada das pautas que são essenciais para a população negra, que é maioria populacional, mas minoria de acesso”, enfatizou Guiomar, que assim definiu o mote da mostra: “eu quero liberdade”.

Temas sociais
A Flink deste ano homenageará a atriz Zezé Motta, que interpretou Xica da Silva no cinema, e o romancista e roteirista Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, que inspirou o filme de mesmo nome.

Com Zezé, Paulo Lins e outros convidados, como o escritor Ferrez e o pesquisador Luiz Eduardo Soares, o festival pretende falar sobre temas ligados à situação da população negra no país. “Sobre as comunidades, sobre [o filme] Cidade de Deus, sobre essas realidades que estão apontadas ali: de exclusão e violência. E como a cultura e a educação podem ser as nossas armas para lidar com essas questões, para fazer com que o mundo se transforme”, ressalta Guiomar, ao falar sobre as possibilidades de discussão que a programação da Flink pretende abrir.

“Nós estamos lutando ainda para ter igualdade social e racial. A gente sabe que o Brasil é o país que mata mais negros no mundo, sempre matou. A gente sabe da guerra da escravidão. A gente sabe que hoje o negro ainda está no escalão baixo da sociedade: a guerra continua”, acrescenta Paulo Lins, ao comentar a posição social da população negra e a importância de uma produção cultural vinda desse lugar para a sociedade brasileira.

Para o escritor, a conquista de espaços como a Flink e o crescimento do número de artistas são frutos da luta social ao longo das últimas décadas. “Autores negros existem desde que o Brasil é Brasil. Mas, agora, com a luta que sempre existiu e vai continuar, muita gente negra está na literatura.”

Na opinião de Lins, as artes são uma forma de enfrentar a violência do racismo e disputar espaço na sociedade. “A cultura é amor, paz, reflexão, inteligência. E a gente quer igualdade social. Quando a gente faz isso, a gente fala que é uma luta, mas não é uma luta armada. Merecia uma luta armada, mas o amor é melhor. Então, a gente fazendo cultura é uma forma de dar um beijo para acabar com essa guerra”, concluiu.
A programação completa da FlinkSampa pode ser vista na página do evento.
Edição: Nádia Franco



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sofrimento e música



 Das ruas aos palcos: Coral de moradores de rua completa 1 ano e precisa de ajuda



 Procurar um abrigo, conseguir dinheiro para comer algo durante o dia, batalhar por uma forma de aquecer. Tudo isso faz parte da rotina de uma pessoa em situação de rua, mas desde o ano passado a música também tem igual peso. O Coral "Uma Só Voz", nascido para acompanhar a tocha durante a Rio 2016, completa um ano e precisa de ajuda para continuar.

 © Sputnik/ Aleksandr Vilf

O projeto original nasceu do evento "With One Voice", realizado durante as comemorações dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Após 20 anos trabalhando com a população de rua, os coristas londrinos chamaram a atenção de patrocinadores que incentivaram um intercâmbio com a organização da Rio 2016.

O trabalho, iniciado oficialmente com uma visita de pesquisa em novembro de 2013, floresceu em um projeto social "Uma Só Voz", cujo ápice foi uma apresentação aos pés do Cristo durante a passagem da tocha pela cidade. A ideia sobreviveu ao fim dos Jogos, deixando um belo legado na vida dos quase 400 participantes, que tiveram a vida transformada. Pelo menos 20% deles conseguiram uma oportunidade de trabalho e cerca de 30% afirmam que ficou mais fácil sair do vício ou ficar longe das drogas e do álcool quando estão no Coral. 

Tanto sucesso assim, no entanto, está ameaçado. Passa a euforia com os Jogos, o "Uma Só Voz" precisa de ajuda para sobreviver. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil,  o Diretor e Regente do Coral, Ricardo Vasconcellos falou sobre a "vaquinha" colocada on-line para tentar arrecadar fundos. São quase R$90 mil necessários para manter o projeto funcionando até janeiro do ano que vem e destinados ao financiamento de transporte e lanche para os membros dos corais e custos administrativos e de material de marketing, como as camisetas utilizadas nas apresentações.

"A população de rua é um problema global, mas nós acreditamos que a arte é uma grande ferramenta de transformação de vidas. […] A pessoa que está ali trabalhando com os corais olha para dentro de si e percebe que é possível. Se a gente definisse o trabalho do 'Uma Só Voz' seria dignidade, eles deixam de ser invisíveis", avalia Ricardo.
 © Foto: Reprodução / Facebook

O regente também falou sobre a importância do financiamento do projeto, que já não conta com os mesmos recursos de quando se apresentou nas Olimpíadas. A ideia é, uma vez conquistada a estabilidade, extrapolar a ideia do coral para outros estados, mas Ricardo quer usar da vaquinha para construir um olhar diferente primeiramente no Rio.

"A população de rua é uma parcela da nossa sociedade, temos que ter um olhar para essas pessoas, de respeito por aquela vida que está ali. A gente convoca a sociedade do Rio de Janeiro para que possamos, de mãos dadas, estar ajudando essas pessoas a conquistar novas identidades, de ambições e de conquistas e não de necessidade", pede o regente.

Quem quiser contribuir pode fazer isso por este link. Os valores das doações começam em R$10 e vão até R$1000, oferecendo prêmios para quem colaborar com cada faixa de doação.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Almir Guineto morre aos 70 anos



Sambista Almir Guineto, do Fundo de Quintal, morre no Rio aos 70 anos
  • 05/05/2017
Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

 
O sambista e cantor Almir Guineto, 70 anos, fundador do grupo Fundo de Quintal, morreu hoje (5) no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Fundão. Ele estava internado desde março para tratar de uma pneumonia e problemas renais crônicos, provocados pelo diabetes. O artista foi um dos grandes representantes do chamado samba “de raiz”.

Nascido e criado no morro do Salgueiro, na Tijuca, zona norte do Rio, teve contato direto com o samba desde a infância, já que havia vários músicos na família. Seu pai era violonista e integrava o grupo Fina Flor do Samba. A mãe, conhecida como Dona Fia, era costureira e uma das principais figuras de destaque da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro.

Carreira

Nos anos 1970, Almir já era mestre de bateria e um dos diretores do Salgueiro e frequentador do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Nessa época inovou ao introduzir nos pagodes o banjo adaptado com um braço de cavaquinho.

Mais tarde, nos anos 1980, participou da fundação do grupo Fundo de Quintal, que saiu da formação de sambistas do Cacique de Ramos. Depois da gravação do disco Samba é no Fundo de Quintal, partiu para a carreira solo.

Como compositor também fez várias músicas de sucesso interpretadas por Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, entre outros.

A família ainda não definiu onde será o velório e o local do enterro.

Edição: Denise Griesinger